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Tuesday, January 10, 2012

Joaquin Phoenix à deriva


Uma estrela face ao olhar dos media... Ou as atribulações da fama. Joaquin Phoenix revisita o tema em I'm Still Here, um "mockumentary" não exactamente sobre a deriva artística, mas apenas à deriva — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 de Dezembro), com o título 'A patética herança dos "apanhados"'.

Decididamente, a estética dos “apanhados” televisivos tomou conta de muitos aspectos da nossa existência. Como era fácil de prever, a sua generalização instalou dois valores (ou falta de valores) dominantes: por um lado, há “amadores” que julgam que fazer cinema é registar o vizinho a estatelar-se no degrau que eles próprios tiveram o cuidado de viciar; por outro lado, qualquer “repórter” que consiga fazer gaguejar um político, de preferência ofendendo-o na sua competência ou dignidade, tem direito a ser consagrado como efémero herói da televisão.
Apesar de tudo, não se esperava que esse patético infantilismo tomasse conta de um actor tão talentoso como Joaquin Phoenix (lembram-se dele na personagem de Johnny Cash em Walk the Line?). Mas foi o que aconteceu. Com a cumplicidade de outro actor, o seu cunhado Casey Affleck, neste caso assinando como realizador, Phoenix decidiu montar toda uma teia de equívocos, começando por declarar que se ia retirar do cinema e dedicar-se à música rap. Enquanto o logro durou, andou a fazer aquilo que I’m Still Here testemunha. Ou seja: a acumular dissertações sobre a condição de “artista” e a angústia visceral da “arte” que, de tão anedóticas, envergonhariam o mais medíocre candidato a estudante dessa coisa muito nobre que dá pelo nome de cinema.
O problema não é a “mentira” que Phoenix e Affleck nos querem vender. Afinal de contas, não é por qualquer irrepreensível naturalismo que admiramos Orson Welles, Federico Fellini ou David Lynch. O problema é esta redução do discurso cinematográfico a um truque sem imaginação. Momento emblemático: depois de uma performance de palco, Phoenix vomita longamente na sanita... Como filosofia estética, não poderia ser mais esclarecedor.

Sunday, May 22, 2011

O Natal "fake" do cinema

[Actividade Paranormal (2007), de Oren Peli]
No seu genial F for Fake (1975), Orson Welles bem nos avisou: o falso, não apenas a máscara teatral, mas o logro institucionalizado (e mediatizado, hélas!), iria impor-se como uma componente visceral, material e simbólica, do nosso universo. De tal modo que, hoje em dia, o fake passou a ser uma categoria de comunicação na Net.
Por vezes, é verdade, com saborosos desvios. Assim acontece na colecção de cartazes falsos propostos pelo blog "Rejecting sobriety" (cuja designação é, por si só, todo um programa). São cerca de duas dezenas de variações, incluindo os títulos, executadas para satisfazer o espírito da quadra natalícia — sugere-se um click nas imagens aqui reproduzidas e, sobretudo, a descoberta da colecção.

[Frost/Nixon (2008), de Ron Howard]