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Sunday, January 6, 2013

E lá derrotaram o silêncio...


Fracassou a tentativa de fazer do silêncio o número um deste Natal no top de singles do Reino Unido. Seguindo o modelo de uma campanha lançada via Facebook que, há um ano, levou uma canção dos Rage Against The Machine ao primeiro lugar, derrotando assim a concorrência temática da quadra e os discos dos concorrentes dos concursos de “talentos” televisivos, uma outra foi este ano lançada para fazer de uma versão do “clássico” 4’33” de John Cage (na verdade uma reflexão conceptual sobre o silêncio) o número um natalício. Com o título Cage Against The Machine não foi além do nº 21 na tabela de singles, os ingleses tendo antes dado o nº 1 a um concorrente de um programa de TV. Mesmo assim, não deixa de ser curioso ver uma obra de John Cage no top! E, claro, nunca antes um single inteiramente fito de silêncio, vendera tantos... discos.

Saturday, October 6, 2012

MTV elege a "Rainha da Transformação"


Helmut Newton
1990

Poderá 2011 ser um ano de (alguma) reconversão da MTV, sobretudo recuperando uma parte dos seus valores mais nobres, em tudo e por tudo alheios à ética e à estética da reality TV? Acreditemos que a transformação (não o alarido pueril) poderá voltar a marcar o essencial das suas programações, quanto mais não seja porque a sua afirmação existe, de uma só vez, como método e utopia da cultura pop.
Porventura a dar o mote, aqui fica o recente top 10 dos mestres da transformação segundo a MTV:

Monday, May 7, 2012

Presidenciais — como os candidatos avaliam a TV?


RICHARD SERRA
Television Delivers People, 1973
[video em baixo]

Que pensam os candidatos presidenciais da televisão que se faz em Portugal? Não sabemos, porque nada nos dizem sobre o assunto. Infelizmente, não se espera que venham a modificar o seu silêncio — este texto integra uma crónica publicada no Diário de Notícias (7 de Janeiro).

O ano de 2010 renovou uma certeza: globalmente, a classe política portuguesa não quer discutir a televisão. Não se trata de apelar à “condenação” da televisão (está por analisar a paranóia que leva gente inequivocamente inteligente a proclamar que a vontade de pensar a televisão é um estratagema dos “críticos” para difamar os seus decisores e protagonistas...). Trata-se, isso sim, de perguntar quais os efeitos sociais e simbólicos da televisão que se faz. Por exemplo: os debates sobre as presidenciais. Porque é que quase todos fingem que a repetição dos mesmos debates, com os mesmos tiques e a mesma procura de tensão traz algo de novo para a convivência de eleitores e políticos?
Um dia, algum candidato presidencial arriscará para além dos clichés com que o confrontam. E dirá: “É tempo de perguntarmos que televisão precisamos para o país que queremos.” Apenas isso.